terça-feira, 19 de março de 2019

Doloroso, mas necessário

      
Foto :Denise Mattos


       Afastar-se de pessoas próximas pode doer. Pode  fazer com que você quase se sinta uma criatura inferior,  não dotada de sentimentos nobres como a compaixão e a compreensão, incapaz de exercer a sublime arte do perdão.

     Mas a verdade é que só você sabe o quanto já tentou buscar a harmonia e o entendimento com elas, pelas mais diversas vias: do diálogo, da compreensão, da escuta, da argumentação, do carinho e, por fim, da briga mesmo. Tudo em vão.

     Tanto tempo perdido. Nada surte efeito porque essas pessoas não querem trilhar o caminho da via de mão dupla, onde cada uma das partes dá e recebe, onde existe troca e interesse genuíno pelo outro. E nenhuma relação pode funcionar sem reciprocidade. Uma hora a parte que só se doa na relação acaba se cansando. Fica esgotada de estar sempre disponível, de sempre escutar, de ser útil.
      
      Elas te criticam por você ter se afastado, mas não percebem os motivos que lhe deram, para que você tomasse essa atitude como o último recurso para se distanciar dessas relações tóxicas, onde a outra parte tem olhos apenas para as próprias necessidades. O foco delas é, invariavelmente, o próprio umbigo. Porque uma coisa é priorizar os próprios interesses, mas ser capaz de voltar sua atenção para aqueles que lhe são próximos (sobretudo nos momentos em que estes mais necessitam); outra coisa é colocar suas vontades em primeiro lugar, em detrimento das outras pessoas.

      E aí, com o tempo, você percebe, através das atitudes dessas pessoas, a prevalência escancarada do egoísmo - obviamente não admitido por elas, que sem reconhecerem a própria responsabilidade na situação, lhe acusam de julgamentos injustos e postura de prevenção contra as mesmas.

      Mas tudo tem um limite e, chega um momento, em que você decide dar um basta em prol da sua paz interior. Então, você, vencido pelo cansaço, se afasta.  Você se reconhece como um ser humano cheio de defeitos, com muitos pontos a melhorar - afinal, antes de saber criticar é preciso ter autocrítica -, mas também se dá conta de que precisa se preservar, ser benevolente consigo, estar cercado por pessoas que lhe façam bem, pessoas que despertem o que há de melhor em você e te façam continuar acreditando no ser humano. 




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