domingo, 26 de novembro de 2017

Que tal... tornar-se um bom ouvinte?




O ser humano demanda atenção. Deseja ser ouvido, compreendido, quer sentir-se importante, valorizado, amado. Mas em tempos de individualidade extrema, quando as pessoas mal conseguem ter um momento para si próprias em meio à correria e às pressões da rotina diária, encontrar alguém que ofereça ouvidos sinceramente dispostos a uma escuta acolhedora, vem se tornando uma missão cada vez mais difícil.

Temos dois ouvidos e uma boca, não por acaso, disse o filósofo. É para que possamos ouvir duas vezes mais do que falamos. Mas experimente fazer um teste: conte a alguém algo que esteja acontecendo com você. Seja lá quem for o seu ouvinte - um colega de trabalho, um familiar, um vizinho ou um estranho num transporte público -, provavelmente você perceberá que o outro não lhe escuta para compreender, mas sim para responder e logo começar a falar algo sobre si. Poucas são as pessoas que hoje em dia lhe fazem perguntas sobre você, se interessam verdadeiramente sobre o que se passa com suas emoções. Essa tem sido uma reclamação constante e uma das razões para as pessoas procurarem os consultórios de psicologia, que são os espaços ideais, onde os indivíduos podem ser ouvidos nas suas questões mais profundas e serem compreendidos, sem serem julgados.

Tornar-se um bom ouvinte é mais do que saber silenciar-se para que o outro se manifeste; mas não é uma tarefa impossível. É preciso tirar o foco de si mesmo para estar aberto e atento ao outro. Isso significa estar realmente presente naquele instante, manter contato visual, não interromper o seu interlocutor, mostrar-se disponível. Ter a capacidade de sentir , um mínimo que seja, de empatia pela pessoa com quem você está dialogando. É demonstrar interesse pelo o que a pessoa tem a dizer. É mostrar-se humano e ter a sensibilidade de perceber a necessidade daquela pessoa, naquele momento, de expressar suas emoções. 

Que tal tentar ser um bom ouvinte?

Denise Mattos

Imagem: reprodução
        

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Em cima do salto, gentilmente

Hoje eu decidi subir no salto. Isso tem sido coisa rara desde que as sapatilhas surgiram na minha vida, trazendo uma elegância cheia de conforto e ocupando pouco espaço no meu guarda-roupa (quem é mulher sabe que um sapato de salto alto ocupa bastante espaço nos nossos já abarrotados armários). Mais do que subir no salto, eu também decidi que não desceria dele enquanto estivesse fora de casa, mesmo que a falta de educação alheia me obrigasse a fazer isso.

Eu acredito no poder da gentileza. Quando você é gentil com as pessoas, elas invariavelmente fazem o mesmo com você, devolvendo a gentileza. Quando você dá a passagem para um pedestre na faixa  - o que na verdade é obrigação, não gentileza -, ele te agradece e às vezes até esboça um sorriso. Se você dá passagem para um outro carro no trânsito, mais à frente, esse carro que recebeu a sua gentileza, irá fazer o mesmo com outro carro que precise entrar no fluxo em que vocês estão, e este terceiro carro também fará o mesmo com um outro. Isso já aconteceu comigo e  foi  muito interessante observar o poder de um ato simples, fácil e que toma apenas alguns segundos do nosso tempo.  Um sorriso, um "bom dia", um "por favor", um "obrigado" e um "com licença" são fundamentais.

Dessa última expressão então, tenho saudades! O "com licença" parece não existir na cidade onde moro! As pessoas costumam invadir o seu espaço sem ao menos se darem conta do que estão fazendo. Ontem, na fila do caixa de um restaurante, uma pessoa simplesmente atravessou o braço na minha frente enquanto eu digitava a senha do meu cartão na máquina, impedindo a minha visão, para poder pegar uma caixa de chicletes que estava do meu lado. Senti-me invisível. Hoje, uma pessoa parou ao meu lado, como se estivesse em minha companhia, no caixa de uma livraria no momento em que eu iria digitar a senha. Citei apenas dois exemplos, mas acontecem situações de falta de educação praticamente todos os dias. 



Às vezes eu paro para pensar se o problema está comigo; afinal, todo mundo parece exibir um padrão de comportamento que eu considero tão estranho, que começo até a achar que a esquisita sou eu, no meio de todos. Mas aí eu me lembro de uma frase que li uma vez e que dizia: "Errado é errado, mesmo se todo mundo estiver fazendo isso. Certo  é certo, mesmo se ninguém estiver fazendo isso".    

Conviver ou simplesmente "esbarrar"com pessoas que têm a cara fechada, que reclamam de tudo, que desconhecem as palavrinhas mágicas citadas anteriormente, que não têm o menor traquejo social e que só pensam em si, faz com que, sem perceber, queiramos tratá-las da mesma forma. Todo mundo recebe de volta aquilo que dá. É claro que eu não sou perfeita. Eu não tenho sangue de barata, também tenho os meus dias de pressa, de TPM, de impaciência total. Mas eu faço questão de vigiar o meu comportamento para não ser "mais um boi na boiada", para não cair no erro de apontar no outro uma falha que eu também cometo. Eu não quero me transformar em alguém assim. 

Hoje eu consegui me manter no salto. Porém, sei que nem sempre dá pra ficar em cima dele. Isso é um desafio diário, exige treino constante. Todo relacionamento é uma via de mão dupla, onde cada um dá e recebe. E geralmente damos aquilo que recebemos.

 As palavrinhas mágicas são fundamentais porque têm o poder de deixar a vida mais leve (tanto a nossa quanto a do outro), de fazer da convivência um prazer. A gentileza faz com que sejamos generosos e que deixemos o nosso individualismo de lado, em prol do outro, mesmo que por um breve instante. Ela é como uma rápida atitude de amor, já que o amor é aquele sentimento que desperta o que há de melhor em nós, que nos leva a pensar sempre no bem do outro. E como disse Guimarães Rosa: "qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura"...  

Denise Mattos

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Mudanças - na vida e no blog

 Assim como a natureza, somos capazes de sobreviver às intempéries da vida e
nos transformarmos, sem deixarmos de ser quem somos na nossa essência. (Foto tirada em Ravello - Itália)


A única coisa permanente na vida é a mudança. De endereço, de amor, de emprego, de ideia, de corte de cabelo. Quem nunca mudou? Nem sempre as mudanças são fáceis; mas são necessárias e, muitas vezes, inevitáveis, trazendo significados profundos. Quando algo muda na nossa vida, a gente muda junto, internamente.

Assim foi comigo e, consequentemente, com meu blog. O "Meu estilo é assim" mudou. Ficou adormecido por um longo período e agora volta aprimorado, com conteúdo mais abrangente. Sim, eu ainda falarei de estilo por aqui, porque faz parte do meu ser a paixão pelo comportamento humano e pela expressão de quem somos através de nossa casa, nossas roupas, nossos livros, nossa alimentação. Nosso estilo de vida reflete quem somos.

Porém, o foco agora não será somente a forma como nos vestimos. Como autora desse blog, abordarei temas que são interessantes aos meus olhos, que fazem bem à minha alma e que trazem à minha vida a leveza que busco em meio a esse mundo caótico e sofrido em que vivemos. O blog agora passa a se chamar "Delicadeza no caos" e falará sobre assuntos que me inspiram a ter uma existência mais feliz e ajudam a suavizar o meu viver, como arte, comportamento, reflexão, saúde mental, viagem e estilo. Assuntos delicados também poderão ser abordados aqui, como sofrimento, dificuldades, crises e a maneira de lidar com essas questões da melhor forma possível, cuidando sempre das emoções e buscando a superação.    

Seja bem-vindo(a) ao meu blog! Espero poder tocá-lo(a) positivamente, de alguma forma, através das ideias que compartilharei aqui. Ideias para pensar, sentir e, quem sabe, inspirar!