domingo, 17 de dezembro de 2017

O que eu aprendi depois dos 40





Fazer 40 anos de idade pode ser um momento angustiante para algumas pessoas. Há quem concorde com aquela frase que diz que " a vida começa aos 40" e há os que sentem-se quase entrando na velhice. Mas, acima de tudo, fazer 40 anos significa (embora não para todos) maturidade. A vivência nos traz uma certa sabedoria, vamos tirando lições importantes daquilo que vivemos.

A vida não tem manual de instrução. Estamos sempre aprendendo com nossos erros e acertos, com a experiência das pessoas ao nosso redor. Quanto mais autoconhecimento buscamos e mais investimos em nossa saúde mental - através de reflexão, terapia, boas leituras, superação das dificuldades -, maior a probabilidade de vivermos com qualidade de vida,  equilíbrio emocional e compreensão do que se passa dentro de nós. E quanto mais perto chegamos da nossa harmonia interna, mais chances temos de lidar bem com os desafios que surgem na convivência e que nos são apresentados pela vida.         

É claro que o que você lerá a seguir não é uma verdade absoluta. São apenas as minhas constatações, coisas que fazem sentido para mim. Você pode se identificar com elas ou não.

Depois dos 40 eu aprendi que ...

1. Ninguém muda ninguém
    Por mais que você se esforce e tenha esperanças, não adianta; as pessoas só mudam se essa for uma decisão interna delas próprias.

2. Pra tudo existe solução; menos pra morte
  Você pode estar numa situação para a qual não vê saída, sentindo-se sufocado pelo sofrimento, tentando tirar forças de onde você já não tem mas, ainda assim, sempre há uma alternativa. É preciso estar aberto para enxergar as possibilidades, que podem vir de alguma ajuda externa ou de dentro de você. Já vi pessoas em momentos de extremo sofrimento, com entes queridos em situações complexas, em que nada poderia ser feito para tirar essas pessoas queridas das situações em que se encontravam, até que a pessoa descobre que, apesar da impotência sentida, ela poderia ao menos dar apoio e carinho aos seres amados naquele período. E isso fez toda a diferença.
    Mas morreu, já era. Aí sim, não tem mais jeito. Nada mais pode ser feito.

3. As mudanças no corpo e no rosto são visíveis, mas fazem parte do processo de envelhecimento
    O corpo e o rosto começam a dar sinais de que você já não é mais o(a) mesmo(a) e você sente que é hora de começar a se acostumar com as mudanças trazidas pelo envelhecimento. Você pode iniciar o exercício de enxergar a si próprio e aos outros além da aparência, perceber que cada idade tem a sua beleza e aceitar o envelhecimento como uma etapa natural da vida, pela qual todos passam ou você pode se desesperar e correr para o dermatologista, a fim de dar início à série de procedimentos estéticos que irão fazer parte da sua realidade a partir desse instante.

4. Cada um só dá aquilo que tem
    Só porque algo é óbvio para você não significa que é também óbvio para o outro. As pessoas estão em níveis de maturidade, evolução e autoconhecimento diferentes. Não espere que o outro vá agir da maneira como você agiria. O outro não agirá de forma equilibrada se ele não tem equilíbrio emocional a oferecer.

5. Sair de casa vestido(a) de qualquer jeito já não fica tão legal. Mas isso não precisa ser uma regra 
    Sair de casa de calça jeans rasgada, t-shirt surrada, tênis e cara lavada...   Isso é para os jovens, minha gente! A juventude tem um frescor que permite ao jovem usar qualquer coisa e, ainda assim, ficar cool. Depois dos 40, a coisa muda de figura. É legal dar uma caprichada no visual, aprender a realçar o que se tem de melhor e a disfarçar o que já não é mais tão bonito. Mas só se isso for importante pra você, é claro. Afinal, depois dos 40 a gente já não dá mais bola para a opinião dos outros sobre a nossa imagem, e sim à nossa própria. 

6. Não desperdiçar energia.
    A maturidade pode fazer com que sejamos cada vez mais seletivos e aprendamos a distinguir quais situações merecem o nosso investimento de energia, e quais não merecem. Passamos a entender  que nem toda briga vale a pena e nem toda discussão merece a nossa opinião. O silêncio, às vezes, é a melhor resposta. 

7. Enxergar a beleza das coisas simples
    A vida passa rápido, a rotina é corrida e isso acaba impedindo as pessoas de enxergarem a beleza de pequenos instantes do dia. Pode ser uma flor que está no caminho por onde você passa, um prédio com uma bela arquitetura ou uma casinha simples, mas caprichosamente pintada e cuidada. Pode ser um passarinho cantando de manhã cedinho , um abraço que você dá em quem ama ou um momento que você tem em casa enquanto lê aquele livro, saboreia aquele café ou escuta aquela música que você adora. Você escolhe o que perceber. O importante é que seja algo que te possibilite ter um instante de beleza e descanso na sua rotina. Eu sei que isso pode ser um desafio e tanto pra maioria das pessoas que estão sempre correndo e são submetidas ao estresse diário. Mas não é algo impossível.       

8. Aceitar o que vier
    A aceitação é fundamental na vida. E dificílima, quando nos deparamos com acontecimentos sobre os quais não temos qualquer controle e nos machucam, nos revoltam, nos entristecem. Aceitar perdas, decepções, tragédias, fatos que ocorrem contra a nossa vontade e que modificam nossa vida, afetando em cheio nossas emoções, é um processo cujo caminho precisamos percorrer, querendo ou não. Como diz a sabedoria popular: "aceita que dói menos". 

9. Cuidar das emoções
    Isso eu aprendi há tempos; bem antes dos 40. Mas achei interessante incluir esse quesito nessa lista porque investir em saúde mental é condição essencial para se viver bem. Deve-se cuidar tanto dela quanto da saúde do corpo. Uma mente em desequilíbrio pode adoecer um corpo sadio.

10. Manter o foco nas coisas boas e cultivar a gratidão 
      Viver não é fácil: exige equilíbrio, paciência, persistência, coragem e uma série de outras virtudes. Quanto mais velhos ficamos, mais conhecemos sobre a vida e o ser humano. Depois dos 40 e tantos, a chance de perdermos pessoas queridas ou termos que lidar com doenças pode aumentar. Às vezes, viver -  e conviver  - pode se tornar algo pesado.
     Mas a vida é feita também de coisas e pessoas boas, que nos abastecem de alegria e esperança para continuarmos nossa jornada. Por isso é tão importante focar nas coisas boas: para se ter a leveza para seguir adiante e a força necessária para enfrentar  os obstáculos que surgem no caminho, sem esmorecer. É aí que entra a gratidão, que nos torna cada vez mais conscientes do que vivenciamos de bom nessa vida, sejam esses momentos simples ou grandiosos. Apesar da existência de fases ruins, a gratidão mantém nosso foco nos acontecimentos bons.  

Denise Mattos

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Para refletir

"Para fazer a diferença na vida de alguém, você não tem que ser brilhante, 
rico, bonito ou perfeito. Você só tem que se importar." 




Imagens: Pinterest

domingo, 26 de novembro de 2017

Que tal... tornar-se um bom ouvinte?




O ser humano demanda atenção. Deseja ser ouvido, compreendido, quer sentir-se importante, valorizado, amado. Mas em tempos de individualidade extrema, quando as pessoas mal conseguem ter um momento para si próprias em meio à correria e às pressões da rotina diária, encontrar alguém que ofereça ouvidos sinceramente dispostos a uma escuta acolhedora, vem se tornando uma missão cada vez mais difícil.

Temos dois ouvidos e uma boca, não por acaso, disse o filósofo. É para que possamos ouvir duas vezes mais do que falamos. Mas experimente fazer um teste: conte a alguém algo que esteja acontecendo com você. Seja lá quem for o seu ouvinte - um colega de trabalho, um familiar, um vizinho ou um estranho num transporte público -, provavelmente você perceberá que o outro não lhe escuta para compreender, mas sim para responder e logo começar a falar algo sobre si. Poucas são as pessoas que hoje em dia lhe fazem perguntas sobre você, se interessam verdadeiramente sobre o que se passa com suas emoções. Essa tem sido uma reclamação constante e uma das razões para as pessoas procurarem os consultórios de psicologia, que são os espaços ideais, onde os indivíduos podem ser ouvidos nas suas questões mais profundas e serem compreendidos, sem serem julgados.

Tornar-se um bom ouvinte é mais do que saber silenciar-se para que o outro se manifeste; mas não é uma tarefa impossível. É preciso tirar o foco de si mesmo para estar aberto e atento ao outro. Isso significa estar realmente presente naquele instante, manter contato visual, não interromper o seu interlocutor, mostrar-se disponível. Ter a capacidade de sentir , um mínimo que seja, de empatia pela pessoa com quem você está dialogando. É demonstrar interesse pelo o que a pessoa tem a dizer. É mostrar-se humano e ter a sensibilidade de perceber a necessidade daquela pessoa, naquele momento, de expressar suas emoções. 

Que tal tentar ser um bom ouvinte?

Denise Mattos

Imagem: reprodução
        

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Em cima do salto, gentilmente

Hoje eu decidi subir no salto. Isso tem sido coisa rara desde que as sapatilhas surgiram na minha vida, trazendo uma elegância cheia de conforto e ocupando pouco espaço no meu guarda-roupa (quem é mulher sabe que um sapato de salto alto ocupa bastante espaço nos nossos já abarrotados armários). Mais do que subir no salto, eu também decidi que não desceria dele enquanto estivesse fora de casa, mesmo que a falta de educação alheia me obrigasse a fazer isso.

Eu acredito no poder da gentileza. Quando você é gentil com as pessoas, elas invariavelmente fazem o mesmo com você, devolvendo a gentileza. Quando você dá a passagem para um pedestre na faixa  - o que na verdade é obrigação, não gentileza -, ele te agradece e às vezes até esboça um sorriso. Se você dá passagem para um outro carro no trânsito, mais à frente, esse carro que recebeu a sua gentileza, irá fazer o mesmo com outro carro que precise entrar no fluxo em que vocês estão, e este terceiro carro também fará o mesmo com um outro. Isso já aconteceu comigo e  foi  muito interessante observar o poder de um ato simples, fácil e que toma apenas alguns segundos do nosso tempo.  Um sorriso, um "bom dia", um "por favor", um "obrigado" e um "com licença" são fundamentais.

Dessa última expressão então, tenho saudades! O "com licença" parece não existir na cidade onde moro! As pessoas costumam invadir o seu espaço sem ao menos se darem conta do que estão fazendo. Ontem, na fila do caixa de um restaurante, uma pessoa simplesmente atravessou o braço na minha frente enquanto eu digitava a senha do meu cartão na máquina, impedindo a minha visão, para poder pegar uma caixa de chicletes que estava do meu lado. Senti-me invisível. Hoje, uma pessoa parou ao meu lado, como se estivesse em minha companhia, no caixa de uma livraria no momento em que eu iria digitar a senha. Citei apenas dois exemplos, mas acontecem situações de falta de educação praticamente todos os dias. 



Às vezes eu paro para pensar se o problema está comigo; afinal, todo mundo parece exibir um padrão de comportamento que eu considero tão estranho, que começo até a achar que a esquisita sou eu, no meio de todos. Mas aí eu me lembro de uma frase que li uma vez e que dizia: "Errado é errado, mesmo se todo mundo estiver fazendo isso. Certo  é certo, mesmo se ninguém estiver fazendo isso".    

Conviver ou simplesmente "esbarrar"com pessoas que têm a cara fechada, que reclamam de tudo, que desconhecem as palavrinhas mágicas citadas anteriormente, que não têm o menor traquejo social e que só pensam em si, faz com que, sem perceber, queiramos tratá-las da mesma forma. Todo mundo recebe de volta aquilo que dá. É claro que eu não sou perfeita. Eu não tenho sangue de barata, também tenho os meus dias de pressa, de TPM, de impaciência total. Mas eu faço questão de vigiar o meu comportamento para não ser "mais um boi na boiada", para não cair no erro de apontar no outro uma falha que eu também cometo. Eu não quero me transformar em alguém assim. 

Hoje eu consegui me manter no salto. Porém, sei que nem sempre dá pra ficar em cima dele. Isso é um desafio diário, exige treino constante. Todo relacionamento é uma via de mão dupla, onde cada um dá e recebe. E geralmente damos aquilo que recebemos.

 As palavrinhas mágicas são fundamentais porque têm o poder de deixar a vida mais leve (tanto a nossa quanto a do outro), de fazer da convivência um prazer. A gentileza faz com que sejamos generosos e que deixemos o nosso individualismo de lado, em prol do outro, mesmo que por um breve instante. Ela é como uma rápida atitude de amor, já que o amor é aquele sentimento que desperta o que há de melhor em nós, que nos leva a pensar sempre no bem do outro. E como disse Guimarães Rosa: "qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura"...  

Denise Mattos

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Mudanças - na vida e no blog

 Assim como a natureza, somos capazes de sobreviver às intempéries da vida e
nos transformarmos, sem deixarmos de ser quem somos na nossa essência. (Foto tirada em Ravello - Itália)


A única coisa permanente na vida é a mudança. De endereço, de amor, de emprego, de ideia, de corte de cabelo. Quem nunca mudou? Nem sempre as mudanças são fáceis; mas são necessárias e, muitas vezes, inevitáveis, trazendo significados profundos. Quando algo muda na nossa vida, a gente muda junto, internamente.

Assim foi comigo e, consequentemente, com meu blog. O "Meu estilo é assim" mudou. Ficou adormecido por um longo período e agora volta aprimorado, com conteúdo mais abrangente. Sim, eu ainda falarei de estilo por aqui, porque faz parte do meu ser a paixão pelo comportamento humano e pela expressão de quem somos através de nossa casa, nossas roupas, nossos livros, nossa alimentação. Nosso estilo de vida reflete quem somos.

Porém, o foco agora não será somente a forma como nos vestimos. Como autora desse blog, abordarei temas que são interessantes aos meus olhos, que fazem bem à minha alma e que trazem à minha vida a leveza que busco em meio a esse mundo caótico e sofrido em que vivemos. O blog agora passa a se chamar "Delicadeza no caos" e falará sobre assuntos que me inspiram a ter uma existência mais feliz e ajudam a suavizar o meu viver, como arte, comportamento, reflexão, saúde mental, viagem e estilo. Assuntos delicados também poderão ser abordados aqui, como sofrimento, dificuldades, crises e a maneira de lidar com essas questões da melhor forma possível, cuidando sempre das emoções e buscando a superação.    

Seja bem-vindo(a) ao meu blog! Espero poder tocá-lo(a) positivamente, de alguma forma, através das ideias que compartilharei aqui. Ideias para pensar, sentir e, quem sabe, inspirar!       

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O vintage e o retrô

Duas palavrinhas que se confundem e que fazem parte de uma estética de tempos antigos, seja na moda, na decoração, na arquitetura, na música ou no cinema: retrô e vintage. Você sabe o significado de cada uma?

Vintage é tudo o que é antigo de fato e continua fazendo bonito até hoje. Por exemplo, aquela bolsa de um passado bem distante, que foi da sua avó, que a sua mãe usou e que hoje você usa. É uma peça antiga, produzida em uma outra época, que está em ótimo estado de conservação e pode perfeitamente ser usada hoje, com muito estilo! Aquele telefone da década de 70, com um disco no lugar das teclas e que hoje divide espaço com seus móveis atuais, também é vintage. É um objeto original de décadas passadas.

1955
1971

1957

Já aquele telefone de disco, que está na vitrine daquela loja que vende produtos novos e modernos - como eu vi durante essa semana -, é uma peça retrô, ou seja,  é inspirada nos telefones antigos, mas é novinha em folha, fabricada nos dias atuais. Da mesma forma,  a saia midi, o sapato oxford e o casaqueto também são peças em estilo retrô.


Jamie Beck, fotógrafa americana adepta do estilo retrô
 
Campanha Louis Vuitton Outono/Inverno 2010
 
Se até algum tempo atrás as peças vintage eram usadas apenas por aquelas pessoas de visual diferenciado e fãs do estilo antigo de se vestir, hoje elas são objeto de desejo de fashionistas e mulheres que vestem roupas contemporâneas, mas gostam de complementar o look com alguma peça antiga. Alguns objetos antigos são cultuados pelos aficionados do vintage como peças decorativas, como as máquinas de escrever (aquelas que exigiam curso de datilografia para se manejá-las de forma eficiente) e as penteadeiras.

Móveis de design antigo com uma cor inusitada 
Editorial de Maio de 2012 da Marie Claire US 
O que se vê  hoje, é uma referência do passado sendo usada com elementos atuais. Uma peça de roupa atual pode ter um visual antigo, mas não precisa ter cara de vovó. Pode ser mesclada a uma tendência atual, uma cor que irá dar um toque de modernidade ao look.



Julia Petit: expert em montar looks de inspiração retrô ultra modernos



Imagens: reprodução.


 

domingo, 25 de novembro de 2012

Azul e branco em editorial elegante

 High Society, belíssimo editorial antigo, todo em azul e branco, fotografado por Pasquale Abbattista para a Elle alemã.
 
 











Imagens: Dust Jacket .